quarta-feira, 22 de julho de 2015

Alerta Abracomtaxi: “Enfrentar a pirataria dos aplicativos que se preparam para atacar além dos taxistas, advogados, engenheiros e médicos”

Alerta Abracomtaxi:
“Enfrentar a pirataria dos aplicativos que se preparam para atacar além dos taxistas, advogados, engenheiros e médicos”
O poeta alemão Bertold Brecht escreveu “Intertexto”, na época que os nazistas afrontavam as leis da Alemanha e desrespeitavam progressivamente os direitos  de vários agrupamentos de cidadãos.
O texto é um alerta, que continua atualizado, por explicar o estilo de negócios do Uber: “Primeiro levaram os negros/Mas não me importei com isso/Eu não era negro”.
Para reafirmar os riscos da indiferença coletiva, o poema continua: “Em seguida levaram alguns operários/Mas não me importei com isso/Eu também não era operário”.
E continua até que todas as categorias produtivas e sociais tivessem sido levadas pelos nazistas para os campos de concentração e eliminadas nos fornos.
O poema termina de forma dramática, antecipando o que pode se repetir com os ataques sistemáticos que o Uber faz aos serviços legalizados aqui no Brasil: “Agora estão me levando/Mas já é tarde./Como eu não me importei com ninguém/Ninguém se importa comigo.”

Uma categoria de cada vez
Primeiro o Uber ataca os taxistas. E os advogados, engenheiros e médicos nada fazem. Afinal, apesar de terem suas profissões regulamentadas como a dos taxistas, eles e elas não são taxistas. E nada fazem.
“Até que o Uber, fortalecido pelo ataque ilegal à renda dos taxistas profissionais, volte as baterias do seu aplicativo e modelo de negócio para o serviço dos demais profissionais”, afirma Edmilson Americano, presidente da Abracomtaxi (Associação Brasileira das Associações e Cooperativas de Motoristas de Táxi)

Por que primeiro os taxistas?
Porque os taxistas formam uma categoria imensa, com rendimento individual suficiente para a sobrevivência, mas que gera um montante significativo, ao somar os ganhos de todos os taxistas.
Não é à-toa que o Uber acumula aproximadamente 50 bilhões de dólares de valorização em 5 anos, ficando apenas com uma comissão do que subtrai de renda dos taxistas legalizados.
O Uber completa o assalto às rendas dos taxistas, com um ataque ao vínculo social e emocional dos taxistas com a população.
A ponto de os veículos de comunicação terem sido induzidos a “esquecer” o levantamento  que a Fundação Getúlio Vargas realizou durante a Copa de 2014, que apontou o serviço de táxi com avaliação positiva por quase 90% dos entrevistados – compostos por jornalistas e turistas estrangeiros –, que usaram como base de parâmetro e de comparação o serviço equivalente em seus países.

Agir em várias frentes
Os taxistas brasileiros formam uma categoria de homens e mulheres que abriram seu próprio caminho de sobrevivência. Gente acostumada a correr riscos. Inclusive os riscos de vida, ao trabalhar em cidades e bairros sem a segurança pública adequada.

Por isso, já perceberam que têm que agir em bloco, unidos nacionalmente através de suas associações e sindicatos, e em várias frentes simultaneamente. 
Mantendo e ampliando o vínculo emocional com as cidades e com as categorias de profissionais (médicos, engenheiros e advogados) as quais sempre serviram ao longo das décadas.

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