Alerta Abracomtaxi:
“Enfrentar a pirataria dos aplicativos que
se preparam para atacar além dos taxistas, advogados, engenheiros e médicos”
O
poeta alemão Bertold Brecht escreveu “Intertexto”, na época que os nazistas
afrontavam as leis da Alemanha e desrespeitavam progressivamente os
direitos de vários agrupamentos de
cidadãos.
O
texto é um alerta, que continua atualizado, por explicar o estilo de negócios
do Uber: “Primeiro levaram os negros/Mas não me importei com isso/Eu não era
negro”.
Para
reafirmar os riscos da indiferença coletiva, o poema continua: “Em seguida
levaram alguns operários/Mas não me importei com isso/Eu também não era
operário”.
E
continua até que todas as categorias produtivas e sociais tivessem sido levadas
pelos nazistas para os campos de concentração e eliminadas nos fornos.
O
poema termina de forma dramática, antecipando o que pode se repetir com os
ataques sistemáticos que o Uber faz aos serviços legalizados aqui no Brasil:
“Agora estão me levando/Mas já é tarde./Como eu não me importei com
ninguém/Ninguém se importa comigo.”
Uma categoria de cada vez
Primeiro
o Uber ataca os taxistas. E os advogados, engenheiros e médicos nada fazem.
Afinal, apesar de terem suas profissões regulamentadas como a dos taxistas,
eles e elas não são taxistas. E nada fazem.
“Até
que o Uber, fortalecido pelo ataque ilegal à renda dos taxistas profissionais,
volte as baterias do seu aplicativo e modelo de negócio para o serviço dos
demais profissionais”, afirma Edmilson Americano, presidente da Abracomtaxi (Associação
Brasileira das Associações e Cooperativas de Motoristas de Táxi)
Por que primeiro os taxistas?
Porque
os taxistas formam uma categoria imensa, com rendimento individual suficiente
para a sobrevivência, mas que gera um montante significativo, ao somar os
ganhos de todos os taxistas.
Não
é à-toa que o Uber acumula aproximadamente 50 bilhões de dólares de valorização
em 5 anos, ficando apenas com uma comissão do que subtrai de renda dos taxistas
legalizados.
O
Uber completa o assalto às rendas dos taxistas, com um ataque ao vínculo social
e emocional dos taxistas com a população.
A
ponto de os veículos de comunicação terem sido induzidos a “esquecer” o
levantamento que a Fundação Getúlio
Vargas realizou durante a Copa de 2014, que apontou o serviço de táxi com
avaliação positiva por quase 90% dos entrevistados – compostos por jornalistas
e turistas estrangeiros –, que usaram como base de parâmetro e de comparação o
serviço equivalente em seus países.
Agir em várias frentes
Os
taxistas brasileiros formam uma categoria de homens e mulheres que abriram seu
próprio caminho de sobrevivência. Gente acostumada a correr riscos. Inclusive
os riscos de vida, ao trabalhar em cidades e bairros sem a segurança pública
adequada.
Por
isso, já perceberam que têm que agir em bloco, unidos nacionalmente através de
suas associações e sindicatos, e em várias frentes simultaneamente.
Mantendo e
ampliando o vínculo emocional com as cidades e com as categorias de
profissionais (médicos, engenheiros e advogados) as quais sempre serviram ao
longo das décadas.
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